A CONDIÇÃO PARA SER ESPÍRITA
dez 27th, 2008 by smart
Não é espírita quem quer, só é espírita quem pode (Armando de Oliveira Assis)
A princípio esta afirmação nos soa pretensiosa,pedante.Todavia, ela encerra uma avaliação da realidade do movimento espírita, quanto a sua composição.Nossa doutrina é recente, pouco mais de 150 anos, o que garante serem os espíritas, na maioria, espíritas pela primeira vez. Significativa parcela dos integrantes do nosso movimento, em nossa sociedade, é oriunda do catolicismo,protestantismo e umbanda.Trazem impregnados de sua formação original características predominantes dessas experiências transatas, e mesmo desta vida:
1) Espiritólicos ex-católicos, caracterizados pela fé cega e forte aversão ao questionamento
2) Espiritélicos - ex-evangélicos,caracterizados pelo apego intransigente a correntes de pensamento de autores encarnados ou desencarnados (biblicismo espírita) , e
3) Espiritistas - ex-umbandistas, caracterizados pelo misticismo e empirismo.
Além disso,todos com um traço em comum, a forte influência da teocracia, indutora de uma deformação de suas convicções pela possível ação manipuladora de sacerdotes,ministros da fé ou líderes, únicos detentores da Verdade, sem qualquer estímulo à própria busca por parte do adepto. Lamentavelmente, tal viciação acompanha-os à vivência espírita, quando então persiste a necessidade de manterem-se atrelados à orientação de figuras centrais, como nos credos antigos, transferindo agora aos médiuns e dirigentes espíritas, que passam a ser muletas e bengalas, numa infeliz continuidade da dependência já anteriormente instalada, produzindo uma fragilização da convicção espírita pessoal.
Muitos apoiam a tolerância ilimitada com a ocorrência desses desvios. Precisamos entender que não é o remédio que deve se adequar à vontade do doente, sim o contrário. Assim, somos nós que precisamos incorporar o Espiritismo tal qual ele é, sem concessões.Daí a justeza da citação que encabeça este texto. Para se ter uma vivência pura e honesta com o Espiritismo é preciso, inicialmente,decidir intimamente romper com hábitos das experiências dogmáticas, que são atitudes e rotinas, pessoais ou coletivas, que impedem atingirmos a condição de espíritos livres. Não é quem quer que travará uma relação de sucesso com o Espiritismo , mas quem estiver apto a assumi-lo pela simplicidade, que nos liberta de verdades artificiais e falsas expressões de segurança.
Presidente da Federação Espírita Brasileira de 1970 a 1975