Amizade
set 1st, 2008 by Marcia Paiva
Fico aqui pensando sobre a tal amizade entre as pessoas. Realmente não é fácil, cada pessoa tem seus conceitos, seus valores, suas manias e seus humores. Ás vezes acho que existe uma contradição. À medida que uns valorizam o que o outro é, alguns valorizam o que o outro tem e há ainda os que não valorizam nada. Engraçado isso. Nos conceitos que a sociedade passa, amizade significa algo inabalável, de muita cumplicidade, algo extremamente de grande fundamento e duradouro. Antigamente era amigo aquele que se fazia boas ações DURANTE uma boa parte de nossa vida e dizíamos: “Fulano tá comigo há tanto tempo, me faz um bem, tá comigo pro que der e vier”. Aqui na Internet todo mundo é amigo. Conheceu ontem num chat, pronto… “fulano de tal agora é meu amigo virtual”. Hoje, é considerado amigo aquele que de alguma forma faz parte de nossa vida… até que se cometa a primeira falha, infelizmente. Houve sim uma inversão de valores e até mesmo de conceitos. Se isso foi bom ou ruim, vai de cada um. Talvez seja um conceito particular meu. Eu, simplesmente eu, fico pensando (e talvez agindo) que devemos enxergar muito mais as atitudes amigas do que a “caminhada” propriamente dita. Então, levando-se em consideração o conceito atual, realmente somos todos amigos. Se estivermos na rua, cairmos e alguém que nunca vimos nos ajudar… podemos falar: “Puxa, aquela pessoa teve uma atitude amiga. Mesmo que nunca mais eu a veja no mundo, ela prestou um serviço bacana. Me ajudou num momento ruim da minha vida.” Ao mesmo tempo, uma pessoa de nosso convívio pode tanto nos ajudar num dia como nos deixar de lado no dia seguinte. Traição? Falta de amizade? Deixaremos de ser amigos? Nem sempre, vai saber o porque dessa pessoa não nos ajudar nesse dia. Eu, por exemplo, posso estar com uma terrível dor de cabeça e não querer falar com ninguém. Posso estar de saco cheio e me sentir a vontade de estar indisponível. Vivemos de momentos. Momentos ruins. Momentos bons. Acho que devemos considerar amigo aquele que possui atitudes amigas, independente do conceito proposto. Acho que se encararmos a vida dessa forma sofreremos menos em relação à expectativa criada em relação às pessoas. Lembremos que ninguém é perfeito, nem nós. Por que cobrar do outro se também somos capazes de falhar como pessoa?
Então, valorize as atitudes e não o conceito. Na verdade, ninguém deve nada a ninguém. Tenho certeza que se olharmos mais o que as pessoas fazem de bom poderemos sim ter a satisfação de viver a cada dia de bem conosco e com os outros. A vida ficará menos amarga. Não cobraremos nem à nós nem aos outros. Simplesmente entenderemos que o ser humano é falível e aceitando será bem mais fácil vivermos felizes.
Agora, mais importante que atitudes é a tal cumplicidade. Isso sim, é FUNDAMENTAL (veja que enfatizei em maiúscula). Você pode ter amigos que falhem com você em determinado momento, mas falta de cumplicidade realmente complica. Aí o bicho pega. Eu prefiro um amigo “ausente em atitudes, totalmente na dele” do que um amigo falso.
Então, tenha atitudes amigas e seja cúmplice. E corra para o abraço!
Um beijo!